Já experimentei o ensino à distância e, depois dessa experiência, digo que prefiro sem sombra de dúvida o ensino presencial.
Dediquei-me ao ensino à distância com otimismo. Fiz novas aprendizagens que reconheço serem muito importantes. Há um determinado tipo de trabalho que poderá ter eficácia à distância. Contudo, em termos gerais, sou seguramente defensora de introdução e consolidação de conteúdos presencialmente.
Na minha opinião, algumas disciplinas, em determinados níveis de ensino, reúnem características que facilitam a aprendizagem à distância. Eu já fiz algumas formações online que considero terem sido muito eficazes. Mas eu sou adulta e estou à vontade com as novas tecnologias. O contexto de uma criança no primeiro ano de escolaridade que ainda não aprendeu a escrever todas as letras é certamente bem diferente do meu.
Vejo a questão do seguinte modo. Considero que presencialmente é mais fácil observar quem está ou não focado na matéria a ser transmitida. Sendo a nossa linguagem maioritariamente não verbal, a comunicação à distância é menos eficaz caso ela não possa ter lugar através de videoconferência, e sendo, pode ser dificultada por falhas de som e imagem que venham a ocorrer. Poder esclarecer um aluno no momento em que a dúvida surge, com a possibilidade de olharmos os dois para a mesma página, com todos os recursos visuais e auditivos disponíveis na sala de aula e com uma interação incrivelmente mais rica e mais rápida, é um luxo ao qual talvez não déssemos o devido valor. Quanto mais prática é uma disciplina e quanto mais cinestésico é o aluno, maior é o desafio de trabalhar à distância. A rotina é muito importante na vida das crianças. Sair de casa e estar na escola marca facilmente a diferença entre tempo de trabalho e de ócio. Finalmente, em termos de avaliação, tenho muita dificuldade em prescindir de provas presenciais em que são aplicados conhecimentos sem recurso a pesquisa. Não deve este ser o único elemento de avaliação. Defendo que os elementos de avaliação sejam variados. Contudo, acredito no cuidado em memorizar conteúdos e em desenvolver competências quando há a necessidade de os aplicar de forma autónoma.
Estamos todos a aprender a viver com este novo vírus. Espero que o ensino seja presencial. Os professores precisam estar com os seus alunos. Os alunos precisam de socializar com os seus colegas. Os pais precisam exercer as suas profissões. É preciso que surja uma nova normalidade.
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