sábado, 11 de julho de 2020

Ensino presencial, por favor!



 

Já experimentei o ensino à distância e, depois dessa experiência, digo que prefiro sem sombra de dúvida o ensino presencial.

Dediquei-me ao ensino à distância com otimismo. Fiz novas aprendizagens que reconheço serem muito importantes. Há um determinado tipo de trabalho que poderá ter eficácia à distância. Contudo, em termos gerais, sou seguramente defensora de introdução e consolidação de conteúdos presencialmente. 

Na minha opinião, algumas disciplinas, em determinados níveis de ensino, reúnem características que facilitam a aprendizagem à distância. Eu já fiz algumas formações online que considero terem sido muito eficazes. Mas eu sou adulta e estou à vontade com as novas tecnologias. O contexto de uma criança no primeiro ano de escolaridade que ainda não aprendeu a escrever todas as letras é certamente bem diferente do meu.

Vejo a questão do seguinte modo. Considero que presencialmente é mais fácil observar quem está ou não focado na matéria a ser transmitida. Sendo a nossa linguagem maioritariamente não verbal, a comunicação à distância é menos eficaz caso ela não possa ter lugar através de videoconferência, e sendo, pode ser dificultada por falhas de som e imagem que venham a ocorrer. Poder esclarecer um aluno no momento em que a dúvida surge, com a possibilidade de olharmos os dois para a mesma página, com todos os recursos visuais e auditivos disponíveis na sala de aula e com uma interação incrivelmente mais rica e mais rápida, é um luxo ao qual talvez não déssemos o devido valor. Quanto mais prática é uma disciplina e quanto mais cinestésico é o aluno, maior é o desafio de trabalhar à distância. A rotina é muito importante na vida das crianças. Sair de casa e estar na escola marca facilmente a diferença entre tempo de trabalho e de ócio. Finalmente, em termos de avaliação, tenho muita dificuldade em prescindir de provas presenciais em que são aplicados conhecimentos sem recurso a pesquisa. Não deve este ser o único elemento de avaliação. Defendo que os elementos de avaliação sejam variados. Contudo, acredito no cuidado em memorizar conteúdos e em desenvolver competências quando há a necessidade de os aplicar de forma autónoma.

Estamos todos a aprender a viver com este novo vírus. Espero que o ensino seja presencial. Os professores precisam estar com os seus alunos. Os alunos precisam de socializar com os seus colegas. Os pais precisam exercer as suas profissões. É preciso que surja uma nova normalidade.

domingo, 10 de maio de 2020

Videoconferência com 4 turmas



O Colégio de Santa Clara está a funcionar à distância, mas procurando estar perto. Não só procura estar perto, como também investe na união e trabalho de equipa.

Estamos todos a trabalhar num projeto interdisciplinar comum a todas as turmas do 1º e 2º C. E. B.

Na passada sexta-feira, conseguimos fazer duas videoconferências, cada uma com 4 turmas, com todos os professores e a Diretora do Colégio.

Para mim foi emocionante ver tantas carinhas conhecidas que me trouxeram tantas lembranças das nossas vivências escolares. Foi um momento em que nos vimos e ouvimos na mesma plataforma, no mesmo espaço de tempo ao ritmo da mesma canção.

Temos estado fisicamente afastados, mas o nosso espírito esteve de mãos dadas.

Os nossos corações voam para onde queremos.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Chamadas e Videochamadas



A interação oral é uma das competências a desenvolver na aprendizagem de uma língua estrangeira. Como podemos trabalhar esta interação à distância? Através de uma chamada telefónica ou uma videochamada. 


Esta semana, estou a ser contatada pelos meus alunos para estabelecermos um diálogo simples em inglês. Por que é que eu é que estou a ser contatada por eles? O objetivo é uma boa gestão do tempo e liberdade de escolha. São eles que escolhem entre nos vermos, ou apenas nos ouvirmos, e cada um trabalha a seu ritmo, tendo uma semana para me contatar.

Para mim, este contato até é mais real do que os diálogos que estabelecemos na sala de aula. Parece mesmo que alguém de outro país está a falar comigo, porque recebi um telefonema em minha casa. 

É mais uma forma de encurtar a distância. Estou muito feliz em relação a esta tarefa. A interação com os meus alunos é o que mais adoro na minha profissão. 

Espero que esta experiência também os coloque à vontade para me contatarem quando tiverem questões. É natural começarmos por pedir ajuda a quem está mais perto. Mas eu, de certa forma, também estou. Estou disponível para ajudar e fico muito feliz por o poder fazer.

Estou muito orgulhosa dos meus alunos! Já falam inglês. 


quarta-feira, 29 de abril de 2020

Assim encurtamos a distância






Assim encurtamos a distância que nos separa. 

Assim comunicamos. 

Não podendo estar presente, envio vídeos para os meus alunos para lhes transmitir conhecimentos e até para fazermos alguns exercícios.

Para eu poder observar o seu desempenho a nível da produção oral, os meus alunos também me enviam vídeos mostrando-me o seu trabalho.

Assim interagimos.

Assim vamos aprendendo. Eu com eles e eles comigo.


Assim encurtamos esta distância até ao dia de estarmos presente novamente.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Saudades dos meus alunos

Hoje a saudade abraça-me com força. Que saudade!
Que saudade de ouvir chamarem-me “Professora!”, “Mrs.!”, “Teacher!” e “Mrs. Areias!”
Que saudade de demorar a ir de um edifício para o outro, porque vocês correm para mim para me perguntar se temos aula, para me mostrarem os vossos brinquedos, para me contarem novidades.
Que saudade de dizer que vamos fazer um jogo e vos ouvir gritar: “Yeeeaaah!”
Que saudade dos vossos sorrisos sinceros, dos vossos abraços.
Hoje só me abraça a saudade.
Hoje trabalhamos à distância tentando encurtá-la com a tecnologia disponível e fazendo aprendizagens que complementarão o nosso trabalho no futuro. 
No futuro, vamos redimensionar o valor que damos à escola e ao estar presente.
No futuro, voltamos a dar aquele abraço.

Que esse futuro seja presente muito em breve.




quinta-feira, 23 de abril de 2020

Agradecimento Aos Pais E Encarregados De Educação



Eu tenho um frasquinho de agradecimentos e gostava de partilhar convosco, meus alunos e encarregados de educação, o que consta em alguns do papelinhos que lá coloco.

Agradeço o fato do ensino à distância me ter aproximado de vós, pais e encarregados de educação. Como não sou diretora de turma, era escasso o nosso contato. Isso agora mudou e estou contente com a nossa interação. Estou a gostar de vos conhecer.

Quero que saibam que reconheço o vosso empenho. Imagino a quantidade de tarefas que têm de gerir como os afazeres de casa, teletrabalho ou trabalho fora de casa, um ou mais filhos, cujas emoções têm de ajudar a gerir nesta época de pandemia, tendo ainda de lhes dar orientação com os seus estudos.

Quero que saibam que aprecio muito toda a vossa ajuda, desde montar equipamentos, criar contas em plataformas, estabelecer uma rotina, incentivar os vossos filhos a contatarem os seus professores e lhes transmitirem o gosto por mostrar um bom trabalho.

Quero dizer-vos ainda que tem sido um gosto enorme receber os trabalhos dos vossos filhos. Quanta criatividade! Quanta doçura! Quanto empenho!  Eu aprecio tudo desde cenários, performances, cores, sorrisos, ideias e até mesmo a arte que tenho visto. Todas as mensagens têm deixado o meu coração quentinho.


Obrigada por tudo, caros pais e queridos alunos!

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Ensino à distância




A sala de aula está vazia. Por agora somos privados de todas as vantagens do ensino presencial. Neste momento, o convívio, a interação, a comunicação estão muito, mas muito diferentes.

Como prefiro ver o copo meio cheio, tenho me dedicado a focar-me nos pontos positivos desta situação. Acredito que, se temos de passar por isto, então que possamos tirar algum proveito.

Neste momento, estou a dedicar-me a conhecer novos recursos e a fazer um uso mais eficaz da tecnologia. Quando voltar às aulas presenciais, estas não serão as mesmas. Serão mais ricas, porque irei trazer novos materiais e iremos diversificar mais as nossas tarefas.

Esta situação levou-me a fazer vídeos para explicar a matéria. Os vídeos têm a vantagem de poderem ser vistos várias vezes e sem interrupções. Podem ser utilizados no ensino à distância e podem ser utilizados para introduzir matéria numa aula presencial. À distância não é possível interagir com o vídeo para esclarecer dúvidas, mas há solução para que esse esclarecimento aconteça.

Dispomos de tecnologia suficiente para comunicar com os nossos alunos: email, chat, chamada telefónica e vídeo chamada. Gosto tanto quando me ligam! Gosto de ensinar, esclarecer, clarificar. Gosto de manter o contato com os meus alunos. Gosto que saibam que estou aqui.

Resolvi a dificuldade de correção de trabalhos recorrendo a aplicações e plataformas onde me é possível criar testes que são automaticamente corrigidos. Creio que para os alunos também deve ser uma experiência interessante poderem ter logo acesso ao resultado do seu trabalho.

Acredito que estou a evoluir como professora. Acredito que esta situação proporcionará uma oportunidade às nossas crianças para desenvolverem a sua autonomia.

Neste momento, não estou preocupada se vão aprender o mesmo que aprenderiam no ensino presencial. Penso que, neste momento, o mais importante é aprender a viver uma nova rotina, aprender a utilizar novas ferramentas de trabalho, aprender a procurar soluções, aprender a gerir as emoções que esta pandemia nos faz sentir… Há muito mais para se aprender na vida do que o que está no currículo. Se o ensino à distância ajudar os alunos a terem uma rotina, a não perderem ritmo de trabalho e gosto pela aprendizagem, se permitir que continuem a treinar conteúdos já aprendidos, se lhes mostrar que a escola procura estar com eles de todas as formas possíveis, não teremos já conquistado algo importante?

Esta situação não está a acontecer por acaso. É demasiado grande para ser por acaso. Esta situação faz-me refletir sobre o ensino. Por exemplo, no ensino à distância os alunos realizam menos tarefas. Será que estávamos a ser demasiado exigentes? 


De uma coisa eu tenho a certaza: o ensino nunca mais será igual. E ainda bem, porque vai ser melhor!